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Comportamento & Cotidiano, Música, Projetos & Desafios

E se fosse contigo?

Olá pessoas ♥ O tema do mês passado do Projeto 16 on 16 foi a música. E claro que eu não podia escolher outra música se não a “E se fosse contigo?”. Antes de mais, deixo-vos o videoclip e a letra da música.

E se fosse contigo e se fosse consigo
Sempre tão polido até tenho um amigo
Por isso não és racista, homofóbico, purista
Por isso não és xenófobo, porco, machista
Bateste na miúda porque bebeste um copo a mais
Não é isso que te muda e ninguém gosta demais
Agora é surda e muda à frente dos demais
Tem vergonha, não pede ajuda só pensa em funerais.
Por isso observa-me, diz-me aquilo que vês
Vá-la enerva-me. Não tenhas medo ou timidez
Cor da pele primeiro, a roupa que vesti
Diz-me se sou um rafeiro ou da raça pedigree
Para mim é suficiente para ser gozado na escola
Mandarem-me para a baliza se quiser jogar à bola
Serei pequeno o suficiente, parvo o suficiente
Ou será que o problema é ser demasiado inteligente

Se cada vez que alguém sofresse
Se cada vez que alguém morresse
E tu pudesses evitar, e se fosse contigo
Diz-me e se fosse contigo
Se cada vez que alguém chorasse
Se cada vez que alguém gritasse
E tu pudesses ajudar
E se fosse contigo
Diz-me e se fosse contigo

Preferência sexual não é escolha sexual
E mesmo que assim fosse yo o que tem isso de mal
Senão estou bem no meu corpo quero vê-lo corrigido
Devo ser encorajado, nunca coagido
Queres decidir por mim boy como é que te atreves
Não conheces a minha vida boy não podes não deves
E não leves a peito por favor leva à cabeça
Antes que ela aqueça, faço-te uma promessa
Um dia essa ignorância pode-te tocar
Ya um dia essa arrogância vai se quebrar
Podes vir a saber o que é viver numa sociedade
Que maltrata as suas crianças e 3ª idade
Um peso uma medida para todo e cada vida
Direito de respeito merecido à partida
A tua ofensa lança medo e insegurança
Indiferença mata a esperança de esperança

Se cada vez que alguém sofresse
Se cada vez que alguém morresse
E tu pudesses evitar, e se fosse contigo
E se fosse consigo
Se cada vez que alguém chorasse
Se cada vez que alguém gritasse
E tu pudesses ajudar e se fosse contigo
E se fosse consigo

 

Não consigo explicar o quanto gosto desta música. Ela é o tema principal do programa “E se fosse Consigo?” que passa na SIC, todas as segundas às 21h. Este programa aborda problemas e questões sociais, como vocês podem facilmente perceber pela letra da música, que apenas em dois minutos e meio, tenta incentivar as pessoas a ser melhores, a aceitar os outros, a denunciar situações que não são apenas assuntos entre marido e mulher, ou apenas uma brincadeira de crianças.

Até agora já passaram pelo programa questões como a violência no namoro ou no casamento, homossexualidade, obesidade, racismo, bullying, entre outros. Dentro destas questões, o programa aborda várias componentes. Temos vários testemunhos de pessoas que sofreram/sofrem preconceito devido à sua condição, pessoas que foram vítimas de violência doméstica ou bullying, temos também testemunhos de especialistas que explicam diversos cenários e, por fim, temos a parte mais interessante para mim: atores representam na rua um problema com algum destes temas, algum preconceito, alguma situação de violência, para basicamente ver a reação das pessoas face ao que está à sua frente. Se quiserem ver um dos episódios que mais me marcou passem pela fanpage do blog, disponibilizei o vídeo lá.

É honestamente aterrorizante o número de pessoas que passam indiferentes a estas situações. Não vou ser hipócrita e dizer que se fosse eu iria interferir em todas as situações. E claro que se não interferisse não era por achar que não era necessário, porque em todas as situações apresentadas até agora qualquer pessoa deveria ter interferido. Sendo sincera, a minha razão para não interferir em algumas daquelas situações seria o medo que a pessoa que eu fosse confrontar me fizesse mal. E sei que muita gente pensa como eu.

Mas sabem o que o programa me fez perceber? Este programada trouxe a realidade crua para a frente dos nossos olhos, porque nós sabemos que acontece, mas enquanto não é a nós, as coisas não devem ser muito más) e, principalmente, fez-me perceber que mesmo nessas situações que eu teria medo, eu podia até não confrontar pessoalmente o agressor, mas havia muitas outras coisas que eu podia fazer. E o mesmo vale para ti, para eles e para todos nós. Todos nós podíamos afastar-nos e ligar imediatamente à polícia. Podíamos chamar outras pessoas na rua para intervirem connosco. Todos podemos fazer alguma coisa. Todos DEVEMOS fazer alguma coisa! É um dever cívico, é um dever humano.

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Comentários
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4 Comments

  • Reply Mariana Silva

    Já conhecia a música mas nunca tinha visto o video, está incrível!
    E tens toda a razão, interferir em situações em que alguém está a ser magoado e humilhado é sem dúvida um dever cívico e humano mas infelizmente nem todos sabem ser civis nem tão pouco humanos!
    Adoro o teu blog, continua assim!

    17 Julho, 2016 at 19:16
    • Catarina
      Reply Catarina

      Pois é. Graças a Deus acho que apesar de se ver cada vez situações mais extremas por este mundo fora, também acho que as pessoas estão cada vez mais consciencializadas sobre estas questões sociais e a ser mais ativas.

      Muito obrigada!! Beijinhos <3

      20 Julho, 2016 at 17:44
  • Reply VANESSA BRUNT

    Caramba, Ca! Que letra densa, sincera, repleta de tapas na cara e de necessidades a serem ouvidas, de graus evolutivos a serem alcançados! Queria muito ter aqui no Brasil o canal que indicou para conferir o programa. Deve ser incrível e bastante poético, além de claramente crítico. Adorei a indicação! O respeito é a base de tudo, do autoconhecimento, dos relacionamentos saudáveis, da admiração, do legado que deixaremos. Deixo aqui um poema irônico que tem conexão com algumas entrelinhas dos indicados:

    OS CULPADOS — Vanessa Brunt
    O estuprado que sente vergonha
    E quem foi traído que ganha apelido
    O cafajeste falando da fronha
    E a namorada chorando escondido.
    Quem não teve princípios, só teve um deslize
    Quem pediu por respeito, é dramático em crise
    Quem jurou de mentira, acusa o momento
    Quem jurou de verdade, é o burro elemento
    Quem saiu para a balada, sem o marido
    Está curtindo a liberdade, é certo e sabido
    Quem reclamou da saída – sem motivo e não dita
    É doido, ciumento, uma mula maldita!
    Quem ficou em casa fazendo o jantar
    É o burro, coitado, a mulher foi caçar.
    O gordo julgado, caçoado, olha lá!
    Deve se sentir humilhado e chorar
    E o grupo de gente que o aborreceu
    Tem vergonha de quê? Já passou… Não doeu.
    O filho que xinga a mãe, está lutando pelos direitos
    A mãe que xinga o filho está educando
    A professora que berra é a que quer respeito
    Quem pede limites está abusando.
    Quem fingiu, foi espertinho
    Quem pediu a verdade, tem que ir atrás
    O moço foi ferido por culpa dele!
    A moça foi enganada porque quis demais.
    Meu amigo é corno porque é lerdo
    A ex esperta dele tá vivendo bem
    Ninguém repete fala para quem errou
    Depois de um mês esqueceram, amém.
    Não quero perder amigos
    Então eu vou…
    Dizer que aquilo foi besteira também.
    Traíram a minha confiança, vou ser o idiota!
    Ai meu Deus, não diga para ninguém.
    A mulher que beijou o cara, achando que era solteiro
    É a puta que atrapalhou o casal.
    O rapaz que não aguentou ir no banheiro
    É tolo, mesmo passando mal.
    A menina que cortou os pulsos é louca
    Quem maltratou ela, só estava sendo infantil
    Foi uma fase, passou, deixa lá…
    Que retardada aquela para quem ele mentiu.

    15 Junho, 2016 at 3:32
    • Catarina
      Reply Catarina

      Verdade, eu acho que foi o melhor programa já criado até hoje! Mas pode procurar no Youtube por “E se fosse Consigo?”, que irá encontrar os programas (:
      Meu Deus, adorei esse poema!! Faz todo o sentido e se encaixa bem nestas temáticas!

      20 Junho, 2016 at 21:25

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